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O Ego

Gastamos tanta energia na construção dos nossos casulos que não nos sobra folego para sair deles.

O Ego

Gastamos tanta energia na construção dos nossos casulos que não nos sobra folego para sair deles.

Esses casulos são tecidos pelos nossos próprios desejos, crenças, instintos, vontades e atitudes, além dos bens materiais que conquistamos ou pelos quais aprendemos a lutar.

O ego é o interface que nos ajuda a agir no mundo. A principio, não há nada de errado com ele, a grande questão é que nos identificamos com ele, de tal forma, que acabamos por perder de vista a nossa essência e a nossa própria razão de viver.

Quando essa identificação total com o ego acontece, acabamos por nos perceber como entidades separadas da existência e da criação. Dessa forma, passamos a ver o mundo unicamente em termos de objetos pelos quais podemos sentir apego ou aversão (rága e dvesá).

Assim, a nossa vida transcorre numa troca incessante de estados anímicos que refletem esses dois pólos.

A palavra usada pelos yogis para designar o ego é ahamkára, que significa o eu-fazedor, deriva dos termos aham (eu), e kára (fazer).

O ahamkára designa aquele princípio da individualidade que acredita estar a fazer e que age no mundo de acordo com essa visão da separação: “eu-fazedor, aqui estou fazendo e não preciso de mais nada nem ninguém”.

A raiz da ditadura do ego é a ignorância, avidyá, quando a ignorância desaparece, o ego passa a ocupar o lugar que lhe corresponde. É quando desvanece a sensação de “eu” separado.
Não há observador e coisa observada.
Só experiência pura. A isto, chamamos samádhi.

A palavra vem do sânscrito:
sam (inteiro), a (para dentro), dhi (mente/intelecto).
Literalmente: mente totalmente integrada.

Samadhi não é êxtase emocional.
Não é transe.
Não é fuga da realidade.

É lucidez extrema.
Presença sem ruído mental.
Consciência plena

Em tradições não-duais, como o Advaita Vedanta, samadhi é o reconhecimento direto de que o “eu” individual nunca foi separado do todo.

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