Sim & Não
Cada escolha cria mundos, e fecha mundos.
Cada escolha cria mundos, e fecha mundos.
Um sim nunca é só um sim.
É sempre um não a tudo o resto.
Um não nunca é só um não.
É sempre um sim guardado para outra direção.
Escolher é excluir. Não há como fugir disto.
Quando um casal se dá o sim, corta todos os outros possíveis. Não é poesia, é estrutura. O compromisso organiza a vida porque elimina alternativas. E é essa eliminação que dá profundidade.
A liberdade antes da decisão é ampla.
A liberdade depois da decisão é focada.
Só a segunda constrói algo real.
Sem decisão, a liberdade é vazia.
É potencial que nunca ganha corpo.
Mas atenção aos extremos.
Um excesso de sim desvaloriza-te.
Se dizes sim a tudo, o teu sim deixa de ter peso. Deixa de haver confiança. E quando o teu sim não tem consequências, ele já é um não disfarçado.
Um excesso de não também empobrece.
O não saudável protege direção.
O não constante isola-te.
O não deve preparar um novo sim.
Se não houver novo sim, o não transforma-se em fuga.
Sim limita.
Não adia.
Ambos têm custo.
Podemos mudar de decisão. Mas quanto mais essencial for a escolha — amor, filhos, vocação, propósito — menos reversível ela é. E é precisamente por isso que amadurece.
Compromisso não é perda de liberdade.
É o preço da profundidade.
Bert Hellinger sintetizou isto quando disse que só ao vincularmo-nos algo se conclui. Enquanto estamos apenas em possibilidades, nada se completa.
A solidão nasce nos excessos:
Quem diz sim a tudo perde identidade.
Quem diz não a tudo perde vínculo.
Maturidade é isto:
Escolher. Sustentar. Ajustar quando for verdadeiramente necessário.
Sem dramatizar. Sem fugir.
Pergunta-te:
Onde estás a usar o não para evitar crescer?
E onde estás a dizer sim por medo de perder pertença?
É aí que a tua liberdade deixa de ser apenas uma ideia, e passa a ser real!